Histórico

Os estudos sobre a História das Américas no Brasil tiveram, ao longo do século XIX e nas primeiras décadas do XX, um percurso errante e pouco expressivo. Apenas alguns intelectuais e historiadores brasileiros se preocuparam, de maneira mais efetiva, até os anos 1940, com temas americanistas ou com a inserção do Brasil numa perspectiva continental. A partir do final dessa década, entretanto, as visões sobre a América Latina passaram a ter um forte impacto dos estudos da CEPAL - a Comissão Econômica para a América Latina, da ONU , criada em 1948. Posteriormente, nos anos 1960, a chamada “teoria da dependência” norteou, em grande medida, as análises sobre a região. Nas décadas de 60 e 70 predominaram, nos cursos de Humanidades, interpretações caracterizadas pelas generalizações, que enfatizavam, a partir de modelos interpretativos, as estruturas econômico-sociais, e procuravam compreender a América Latina no seu conjunto e nas suas relações com as potências capitalistas, particularmente os Estados Unidos. Nessas décadas, os estudos sobre a América Latina, produzidos no Brasil, eram, na quase totalidade, escritos por economistas, sociólogos e cientistas políticos.

A década de 1980 marcou o início, no Brasil, de uma produção historiográfica consistente acerca das Américas, principalmente sobre a América Hispânica. Esse crescimento, quantitativo e qualitativo, coincidiu com a ampliação dos Programas de Pós-Graduação em História nas universidades brasileiras, notavelmente nas públicas. Além disso, é importante ressaltar o expressivo aumento das publicações na área de História das Américas nos últimos 20 anos.

Dentro da produção historiográfica brasileira, na área de História das Américas, destacam-se, além das pesquisas direcionadas a determinados países, os estudos comparativos e, também, trabalhos que buscam compreender as conexões entre diferentes países e contextos.

O pensamento produzido nos demais países do continente é um rico e abundante manancial no qual a intelectualidade brasileira precisa se inserir para melhor responder aos desafios teóricos e práticos que o momento brasileiro coloca. Instigado pela diversidade histórica, étnica e cultural, bem como pelas migrações e diásporas, esse pensamento tem realizado notáveis avanços no estudo e na compreensão de questões econômicas, sociais, políticas e culturais, que o Brasil só conhece de modo parcial e insuficiente.

Os estudos latino-americanos, caribenhos e americanistas, num sentido continental, são condição indispensável para abrir caminho a um intercâmbio acadêmico e intelectual mais efetivo, do qual o Brasil só poderá se beneficiar.

Para a consolidação desse intercâmbio, é fundamental identificar as conexões do nosso processo histórico com o dos outros países do continente. Finalmente, acreditamos que, só a partir de iniciativas institucionais mais abrangentes, poderá ser alterado o nível de conhecimento existente no Brasil sobre a região. Nesse sentido, diversos professores de História das Américas articularam um processo de organização que teve início, depois de algumas primeiras tentativas, com a criação da Comissão Nacional de Pesquisadores de História Latino-Americana e Caribenha (CONAPHLAC), em 25 de janeiro de 1992, em São Paulo.

Contando com o apoio do CNPq, a CONAPHLAC promoveu um Encontro, entre os dias 12 e 15 de janeiro de 1993, na Universidade Federal de Ouro Preto, campus de Mariana, em que participaram pesquisadores e professores de História das Américas das principais universidades públicas e privadas do país. O Encontro culminou com a aprovação do Documento de Mariana e a criação da Associação Nacional de Pesquisadores de História Latino-Americana e Caribenha - ANPHLAC, tendo como finalidade principal o incentivo a uma prática sistemática de pesquisa direcionada para a América Latina de colonização espanhola e o Caribe. A ANPHLAC também se preocupou, desde o início, em contribuir para a ampliação e o aperfeiçoamento da área de História das Américas no Ensino Básico e Superior.

O Documento de Mariana contém os objetivos específicos da ANPHLAC:

1. Estimular a formação de recursos humanos, visando ampliar o número de especialistas que atendam às necessidades de ensino e pesquisa.

2. Promover o intercâmbio de especialistas nacionais e internacionais.

3. Promover seminários e o intercâmbio de resultados das pesquisas realizadas, e do acervo resultante das mesmas.

Desde então, os congressos da Associação têm acontecido a cada dois anos, em diversas cidades e regiões do país. No Encontro realizado em Belo Horizonte, em 2002, a Associação realizou uma mudança no seu Estatuto, com o objetivo de contemplar as novas pesquisas que surgiam no âmbito da História das Américas no Brasil, incluindo em particular os pesquisadores que se dedicam à História dos Estados Unidos e do Canadá, além das interconexões entre estes e os países da América Latina. Em 2007, para a adequação ao novo Código Civil, ocorreu uma grande reformulação estatutária, e a Associação passou a se chamar Associação Nacional de Pesquisadores e Professores de História das Américas, mantendo a sigla anterior, ANPHLAC.

A ANPHLAC, atualmente, tem como objetivo principal congregar os pesquisadores que se dedicam à pesquisa e à docência em História das Américas, nas mais diversas dimensões desse conhecimento. Além disso, pretende contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de História das Américas em seus diversos níveis e estimular o estudo, a pesquisa e a divulgação de assuntos referentes à História das Américas. Empenha-se, também, em defender a conservação das fontes e manifestações culturais de interesse dos estudos históricos americanos, além de promover a permuta de idéias e informações entre seus associados, por meio de encontros e reuniões periódicas e de publicações impressas e eletrônicas, assim como estimular o intercâmbio entre especialistas nacionais e estrangeiros.

Além dos encontros, a ANPHLAC vem se afirmando como uma instituição ativa. O site da Associação (www.anphlac.fflch.usp.br) mantém um cadastro de pesquisadores em História das Américas em todo o país e informações sobre a área. Publica um periódico anual, a Revista Eletrônica da ANPHLAC (ISSN 1679-1061). Entre 1993 e 2010, a ANPHLAC publicou um boletim, com informações sobre eventos, publicações e resenhas, distribuído para instituições e associados. Ambas publicação estão acessíveis em nossa página eletrônica. Atualmente, conta com um Grupo de Trabalho sobre Ensino de História das Américas - que reúne pesquisadores de diversos pontos do país -, e que está preparando um conjunto de materiais didáticos a serem disponibilizados on-line para professores do Ensino Fundamental e Médio.