25 de janeiro de 2019.

 

A Associação Nacional dos Pesquisadores e Professores de História das Américas (ANPHLAC) vem a público manifestar seu repúdio à decisão do Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de extinguir a disciplina de História dos Países da América Latina do currículo do Curso de Formação do Instituto Rio Branco. Esta decisão sinaliza uma menor ênfase a temas da região e está em consonância com mudanças implementadas pelo ministro na própria estrutura do ministério, como a extinção da Subsecretaria-geral de América Latina e do Caribe que passou suas atribuições para a recém-criada secretaria de Américas. A reformulação envolve ainda outras medidas como a redução da carga horária de disciplinas como economia, linguagem diplomática e história da política externa brasileira.

Sabemos que as Relações Internacionais do Brasil se deram, tradicionalmente e em grande medida, com os países latino-americanos, em particular com os da América do Sul, região do globo na qual o Brasil se insere e onde representa aproximadamente metade do território e população. Conhecer as especificidades dos vizinhos com profundidade é essencial para o exercício da diplomacia continental, seja em uma disciplina específica sobre a América do Sul, como foi no passado, seja em uma ampliada para a América Latina e o Caribe.

Os estudos latino-americanos, caribenhos e americanistas, num sentido continental, são condição indispensável para abrir caminho a um intercâmbio acadêmico e intelectual mais efetivo, do qual o Brasil só poderá se beneficiar. Para a consolidação desse intercâmbio, é fundamental identificar as conexões do nosso processo histórico com o dos outros países do continente. Acreditamos que, só a partir de iniciativas institucionais mais abrangentes, poderá ser alterado o nível de conhecimento existente no Brasil sobre a região. 

Ressaltamos que a ANPHLAC, conforme seu Estatuto, tem, entre seus objetivos, “estimular o estudo, a pesquisa e a divulgação de assuntos referentes à História das Américas; defender a conservação das fontes e manifestações culturais de interesse dos estudos históricos americanos; defender o livre exercício das atividades dos profissionais de História das Américas; e representar a comunidade dos profissionais de História das Américas perante instâncias administrativas, legislativas, órgãos financiadores e planejadores, entidades científicas ou acadêmicas”.

 

Pelo exposto, a Associação Nacional dos Pesquisadores e Professores de História das Américas (ANPHLAC) se posiciona contra qualquer medida que minimize a importância das relações do Brasil com os países vizinhos do continente americano e dos estudos acadêmicos relacionados e reitera sua posição de repúdio à proposta.

 

Diretoria da ANPHLAC (Biênio 2018-2020)