Lista de minicursos atualizada - XI Encontro Internacional da ANPHLAC

 

 

XI ENCONTRO INTERNACIONAL DA ANPHLAC

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISADORES E PROFESSORES

DE HISTÓRIA DAS AMÉRICAS

Niterói, de 29 de julho a 01 de agosto de 2014

 

LISTA DE MINICURSOS

30 DE JULHO A 1º DE AGOSTO, DAS 08:00 ÀS 09:00

 

Minicurso 1

Os índios na história das Américas

Sala

203

Prof. Giovani José da Silva (UNIFAP)

O minicurso tem por objetivo geral apresentar um panorama sobre a temática indígena na História das Américas, utilizando-se para tal fim recursos audiovisuais, textuais e iconográficos, dentre outros. Os cursistas serão convidados a conhecerem a rica sociodiversidade do continente americano, por meio de exemplos de sociedades indígenas que vivem/ viveram em diferentes pontos geográficos das Américas e distintos momentos históricos. Longe da ideia de que os indígenas foram meros coadjuvantes na história da colonização europeia, a apresentação do conteúdo privilegiará os indígenas como protagonistas de uma história dolorosamente entrelaçada à história de negros, afrodescendentes e migrantes de diferentes procedências. Além disso, será observada a Lei nº. 11.645/2008, que prevê a inserção do estudo da história e das culturas indígenas na Educação Básica. Os cursistas terão acesso aos debates mais atualizados, bem como uma introdução à história dos índios nas Américas. Especificamente, espera-se colaborar para a formação dos interessados na temática, a partir de um debate epistemológico plural e holístico. Ementa: 1. Etno-história e História Indígena: os índios na história das Américas; 2. A sociodiversidade indígena nas Américas: passado, presente e futuro; 3. Diálogos entre História e Antropologia a respeito da presença indígena na História das Américas.

 

 

 

Minicurso 2

O Carisma do Poder e o Êxtase das Multidões: A Política de Massas Populista na América Latina

Sala

204

Prof. Wagner Pinheiro Pereira (UFRJ)

A política de massas populista é um dos fenômenos mais característicos e recorrentes na história da América Latina nos séculos XX e XXI, devido ao fato de marcar a emergência das massas na vida política latino-americana, de configurar as novas modalidades de organização do poder e de participação e controle social, que substituíram as formas tradicionais de dominação das elites oligárquicas, assim como de introduzir um tipo novo de governo que buscava, através da utilização dos meios de comunicação, conceber a política como espetáculo para as massas.

Tendo-se em vista a amplitude e a complexidade histórica do populismo, o minicurso buscará na 1º aula mapear as origens deste conceito, suas primeiras experiências políticas na Rússia e nos EUA e suas formulações interpretativas na América Latina. A 2º aula analisará o populismo em sua fase clássica, através do estudo dos casos do varguismo, do cardenismo e do peronismo –, apontando as suas principais características, com ênfase na reflexão sobre o papel desempenhado pelas lideranças carismáticas, a dinâmica das relações dos regimes populistas com as classes trabalhadoras e as práticas políticas de manipulação e de controle social das massas. Na 3º aula será debatido o legado do populismo e o (res)surgimento do fenômeno do neopopulismo no cenário político contemporâneo da América Latina.

 

 

Minicurso 3

Tópicos para a História Político-administrativa: Os Casos de Montevidéu e Caiena nos Tempos de D. João de Bragança

Sala

205

Prof. Fábio Ferreira (UFF)

Com a invasão de Napoleão Bonaparte a Portugal e a transmigração da Corte lusa para o Brasil, o então príncipe regente D. João expandiu seus domínios americanos em direção às cidades de Caiena (1809) e de Montevidéu (1811 e 1816), núcleos urbanos vinculados às rivais França e Espanha. Ambas as conquistas, mesmo que havendo a ação de forças militares, se caracterizaram pela negociação com grupos dos segmentos dominantes das citadas cidades. Tais transações significaram a participação de elementos das sociedades locais em importantes cargos da administração pública da Caiena e da Montevidéu portuguesas. Assim, entendendo a relevância das questões de Caiena e de Montevidéu para a história do continente americano, semelhantemente como pontos de interseção entre as histórias do Brasil e de demais localidades da América do Sul, o minicurso irá discutir e analisar a influência dos fatores políticos na administração pública de Montevidéu e Caiena.

 

 

Minicurso 4

A Raça Esquecida: Os Coordenados da “Questão Indígena” na História EUAmericana

Sala

303

Prof. Thaddeus Gregory Blanchette (UFRJ-Macaé)

Pretendemos oferecer uma breve introdução à história indígena nos Estados Unidos, fazendo um sobrevo que vai dos primeiros contatos entre europeus e indígenas na América do Norte no século XVI até os assim-chamados “novas guerras indígenas” do final do século XX. Em particular, queremos salientar como as relações entre índios e brancos seguiram um ritmo próprio, calcado em pressupostos raciais e sociais diferentes daqueles que orientaram as relações no eixo negro-branco da sociedade norte-americana. Isto pode ser de interesse para acadêmicos que estudam a questão racial nas Américas de forma comparativa, pois embora a academia brasileira tenha se concentrado muito em salientar as diferenças e semelhanças entre Brasil e os EUA em termos da construção social de raças e racismos, quase a totalidade desse foco tem pairado sobre o eixo branco-negro.

Vamos particularmente desconstruir os mitos e imagens criados sobre os povos indígenas pela indústria cultural norte-americana, apresentando para a ótica brasileira os coordenados acadêmicos, políticos e culturais dos “Estudos Indígenas” nos EUA, subsidiando assim futuras investigações e pesquisas comparativas, protagonizadas por brasileiras, neste rico campo histórico e intelectual.

 

 

Minicurso 5

Do Compromisso à Neutralidade: Julio Cortázar e os Dilemas da Esquerda na América Latina na Segunda Metade do XX

Sala

304

Profs. Andresa Martins Rodrigues e Jose Antonio Ferreira da Silva Júnior (UNICAMP)

Na segunda metade do século XX, na América Latina, os intelectuais se depararam com um contexto político-cultural convulsionado. Como sujeitos históricos, viram-se diante de processos políticos e sociais nos quais seus ofícios sofreram constantes ressignificações. Temáticas como o compromisso, a ética e a responsabilidade do intelectual foram debatidas, reivindicadas e problematizadas. Logo, a questão da autonomia e da neutralidade da cultura surgiu como demanda de uma intelectualidade que não mais aceitava a primazia da lógica política partidária. Nossa proposta é nos aproximar destas tópicas por meio da produção intelectual de Julio Cortázar (1914-1984). Sua obra ensaística e literária nos permite leituras e interpretações que localizam a figura deste intelectual em diversos momentos deste panorama traçado das relações entre política e cultura latino-americana neste contexto. O minicurso se centrará na análise e discussão de textos e excertos de Cortázar de forma a dar conta de algumas das principais problemáticas que circularam pelos impressos e revistas culturais entre os anos 1960, 1970 e 1980, e que nos oferecem uma abordagem diferenciada dos processos político culturais da América Latina no período.

 

 

Minicurso 6

Análise de Imagens: algumas abordagens e metodologias

Sala

305

Profa. Gláucia Cristiani Montoro (UFRRJ)

Neste minicurso serão oferecidas algumas orientações e apresentadas diversas problemáticas relacionadas ao uso de imagens em pesquisas no campo da História. Serão fornecidos alguns exemplos de ferramentas analíticas capazes de ajudar o pesquisador no estudo de fontes imagéticas e diversas orientações de âmbito geral, as quais abrangerão a escolha das fontes e sua caracterização, o estudo da autoria e circunstâncias de sua elaboração, o contexto histórico e cultural, a importância das características materiais da fonte e de sua história de confecção, a relação da fonte com outras imagens e textos, dentre outras. Apresentaremos, no curso, algumas diretrizes gerais, aplicáveis a imagens de diversas origens, no entanto, os exemplos oferecidos estarão circunscritos a imagens não ocidentais, particularmente dos livros ou códices pictográficos indígenas da região mesoamericana, inclusive, com exposição de alguns dos métodos empregados pelos pesquisadores de diversas áreas que se propuseram a estudar essas fontes. Devido à grande complexidade desses códices, que desafiam o pesquisador e o obrigam a circular por diversas áreas do conhecimento, acreditamos tratarem-se de excelentes materiais de reflexão sobre os aspectos que deverão ser levados em conta na abordagem de fontes imagéticas em pesquisas, particularmente no campo da História.

 

 

Minicurso 7

O Ensaio e suas Questões na América Latina

Sala

306

Prof. Eduardo Ferraz Felippe (USP)

A proposta desse mini curso é dialogar acerca da questão do ensaio no espaço latino-americano. Para estabelecer o debate e desenvolver o curso, considero a historicidade do ensaio, a definição de uma matriz de gênero em seu nascimento, normalmente atribuído a Montaigne (mas que encontra acolhida em autores diversos, como David Hume), e as variações pelas quais passou em sua recepção latino-americana. Reconheço, ainda, a fortuna crítica acerca do gênero e as atuais possibilidades de compreensão que ele oferece em diálogo com uma específica bibliografia de autores latino-americanos. Trata-se de uma discussão acerca das formas possíveis da história em seu cenário de compreensão atual, o que coloca imediatas questões para a autocompreensão do fazer historiográfico. Por fim, e de certo modo voltando ao início, cabe considerar que o ensaio não será considerado por meio seu hibridismo unicamente, mas se utilizará dessa marca como o início das questões a serem debatidas com os integrantes do curso.

 

 

Minicurso 8

Fugas Internacionais de Escravos: A possibilidade de obtenção da liberdade no além-fronteiras, o caso das negociações diplomáticas entre Brasil e Bolívia ao longo do século XIX

Sala

307

Prof. Newman di Carlo Caldeira (UFU)

A independência dos Estados sul-americanos não foi acompanhada de imediato pela elaboração de tratados que fossem capazes de firmar compromissos bilaterais ou multilaterais, deixando em descoberto questões que repercutiram nas relações diplomáticas do Império do Brasil. Embora pouco estudadas, as fugas internacionais de escravos compõem parte significativa nas negociações que pretendiam regulamentar os casos de repatriação ou extradição. Como veremos ao longo deste curso, as disputas provenientes das tentativas de afirmação dos projetos políticos por parte das elites dirigentes em suas respectivas áreas de influência, produziram, mesmo que de modo indireto, reflexos sentidos em contextos diversos. Um exemplo bastante significativo são os marcos legais de abolição dos regimes escravistas ocorridos nas nações limítrofes e suas consequências para o Império do Brasil. Por conta da ausência de definições mais precisas quanto ao que poderia ser considerado ilícito internacional, o objetivo deste curso será demonstrar o desenvolvimento do processo de legitimação e defesa da propriedade escrava, por parte do Brasil, em seus contatos internacionais. Neste sentido, o desenrolar das negociações diplomáticas entre Brasil e Bolívia irá aclarar a contradição existente na aplicação dos direitos de propriedade e de liberdade. Enquanto os representantes do Império brasileiro pediam a devolução dos prófugos asilados, o governo boliviano passou a adotar o princípio jurídico do “solo livre” para legitimar a postura de defesa da concessão de liberdade pessoal para os cativos que pisassem seu território.