A redemocratização na América Latina - Filmografia

A redemocratização na América Latina

Autor(a): Mariana Martins Villaça 

E-mail: marimavi@hotmail.com

 

Filmografia

 

A História Oficial (La Historia Oficial). Diretor: Luis Puenzo. Ano: 1984. País: Argentina.

Elenco: Héctor Alterio, Norma Aleandro, Chela Ruiz, Chunchuna Villafane, Hugo Arana.

Produção: Marcelo Piñeyro

Roteiro: Aída Bortnik, Luis Puenzo

Sinopse: Alícia é uma professora de História pertencente à classe média argentina. Ela convive com pessoas tanto de esquerda quanto de direita, mas desconhece as tragédias pessoais geradas em seu país pela ditadura militar (1976-1983). Ela é uma mãe atenciosa para a filha Gaby, uma criança adotada e trazida para casa por seu marido Roberto. Após o retorno do exílio da amiga Ana, uma ex-presa política, Alícia começa a descobrir os horrores praticados contra os opositores do regime. Ela começa então a crer na possibilidade de que seu marido havia participado da máquina repressora do regime e adotado Gaby depois que seus pais, possíveis presos políticos, foram assassinados. A investigação de Alícia para descobrir a origem de sua filha a leva a hospitais insalubres, à igreja frequentada pela família (onde se depara com o silêncio do padre, numa cena que causou problemas com a Igreja Católica por retratar a omissão desta para com o regime) e, finalmente, a uma manifestação das Mães da Praça de Maio, onde encontra aquela que seria a avó biológica de sua filha.

 

Sugestão para a abordagem em sala de aula:

Destacar as relações que Alicia (interpretada por Norma Aleandro), como professora de História, estabelece com seus alunos e com seus conhecimentos sobre o passado recente de seu país. Chamar a atenção para a inserção de cenas reais no filme, como a manifestação das Mães da Praça de Maio. Observar os indícios, na obra, da situação econômica argentina pós-regime militar. Pesquisar o histórico da produção do filme (iniciada ainda durante a ditadura) e a repercussão que o filme teve na época de seu lançamento, na Argentina lembrando que foi um dos mais premiados filmes argentinos no exterior : em 1986, recebeu o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e também foi indicado para o Oscar de Melhor Roteiro Original. No ano anterior, Norma Aleandro havia sido premiada como Melhor Atriz no Festival de Cannes. A respeito dessa atriz, é interessante ressaltar que ela própria é uma ex-exilada, cuja história se cruza, em alguns aspectos com a de Anna, a amiga de Alicia. Discutir com os alunos o papel do cinema no contexto de redemocratização e de `revisão` do passado recente, uma vez que La historia oficial está no grupo dos filmes considerados os primeiros feitos na Argentina após o fim do regime militara, juntamente com outras produções, como No habrá más penas ni olvido (1983) e La noche de los lápices (1986).

 

Referencias bibliográficas que auxiliam a análise desse filme:

GETINO, Octavio e VELLEGGIA, Susana. El cine de 'las historias de la revolución'. Buenos Aires: Altamira / Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales, 2002.

GUMUCIO DRAGON, Alfonso. Cine, censura y exilio en América Latina. La Paz/Ciudad de México: CIMCA /Federación Editorial Mexicana / Sindicato de Trabajadores de la UNAM, 1984.

LAUREANO, Rogério Correa. Cinema e História no Brasil e na Argentina na transição política: estudo comparativo entre os filmes `Pra Frente Brasil` (1982) e `Nem culpa nem esquecimento` (1983). Dissertação de Mestrado, São Paulo, PROLAM - USP, 2002.